A esquerda sofre de síndrome de Senhorita Morello

Você com certeza conhece aquele esquerdista que tem uma solução para tudo e sabe o que é melhor para a vida dos outros. E você já deve ter conhecido uma professora militante que sabe o que é melhor para os negros. Conheça a síndrome de Senhorita Morello!

Se você observar bem um indivíduo de esquerda e analisar como funciona a mentalidade dos progressistas e socialistas, verá uma característica bem marcante nesses grupos: essas pessoas acreditam que, para tudo melhorar na sociedade, bastam as boas intenções. Essas pessoas não estudam ciência econômica e não se aprofundam na política para entender as verdadeiras nuances das coisas. Dessa forma, em nome de justiça social, reparação histórica ou proteção dos vulneráveis, novas leis e políticas públicas idiotas são defendidas como as grandes soluções sociais. E pior: quem questiona essas boas intenções, é visto como um inimigo, alguém que não tem compaixão pelo próximo e pelos grupos minoritários que estão sofrendo. E é graças a essa mentalidade infantil e rasa que os políticos insistem em leis inúteis que apenas prejudicam os mais pobres, com a lei de salário-mínimo. Mas vamos chegar nesse ponto ao longo do vídeo.

No famoso seriado “Todo Mundo Odeia o Chris”, conhecemos uma personagem, chamada de Senhorita Morello, que é uma professora que acha que entende a vida do Chris e sua família. Mas ela acaba exagerando nas ideias e acredita que o Chris vive com uma família totalmente desestruturada, que não tem pai, que sua mãe usa drogas e que passa fome, apenas porque ele é negro. Podemos ver como a professora Morello, na verdade, está apenas julgando e rotulando o Chris baseado na cor da sua pele. Esse famoso seriado americano, que explodiu em audiência aqui no Brasil, conseguiu fazer uma das sátiras mais inteligentes já feitas sobre a mentalidade progressista e sua visão paternalista.

Morello, num primeiro momento, se apresenta como a professora “do bem”, ou seja: uma mulher militante, engajada e sempre pronta para defender os negros, denunciando injustiças sociais para exibir sua superioridade moral. No entanto, ao longo dos episódios, podemos ver que ela não compreende a realidade de vida do Chris, mas pior: ela revela todo o seu racismo implícito ao falar coisas absurdas a um aluno negro. Isso revela que ela não tinha empatia genuína, mas queria se sentir como uma pessoa “do bem” e virtuosa. Ela fala por ele e interpreta sua vida a partir de estereótipos ideológicos. Tudo é filtrado por uma lente militante o tempo inteiro: se Chris tira uma nota ruim, é o “sistema” ou sua condição de aluno negro; se ele se comporta mal, é porque seu povo é oprimido ou porque seus pais são péssimos pais. Parece que Morello não vê no Chris um indivíduo pensante, inteligente, mas apenas um símbolo político ambulante. E é nesse ponto que percebemos como uma boa intenção vazia, se transforma em algo problemático.

Os brilhantes economistas americanos, Thomas Sowell e Walter Williams, fizeram críticas precisas às políticas progressistas modernas, que não passam de puro socialismo chulo e paternalista. A lei do salário mínimo (e as regulações trabalhistas), por exemplo, apenas dificultam que pessoas pobres e inexperientes consigam seu primeiro emprego e possam competir no mercado de trabalho. Ela atua como uma barreira de entrada que cria um encarecimento artificial da mão de obra, prejudicando muito os jovens sem renda – tudo isso baseado em boas intenções. Na prática, graças ao salário mínimo, os empregadores acabam contratando apenas candidatos com experiência consolidada, o que cria uma reserva de mercado a essas pessoas. No documentário feito por Walter Williams, intitulado: “Boas intenções”, podemos ver como muitas leis e direitos que supostamente visavam ajudar ou proteger os negros, tinham o efeito oposto. Williams nos mostra como programas escolares que monopolizam o ensino público e benefícios sociais que desincentivam a busca por trabalho podem contribuir para a dependência e queda na formação de capital humano.

O governo nos vê como incapazes, ou finge nos ver dessa forma, apenas para criar uma mentalidade de que somente os políticos poderão melhorar nossas vidas com novas leis – é uma forma de se criar uma escravidão mental. Da mesma forma que essas políticas públicas ineficientes, a Senhorita Morello parte de uma premissa não declarada, mas bastante nítida no seriado: Chris é incapaz sem sua tutela. Ou seja, seu aluno negro não é visto como alguém que pode falhar, aprender, competir e crescer por mérito próprio, mas como alguém que precisa sempre ser protegido do mundo real. E isso não gera uma emancipação verdadeira, ao contrário, torna o indivíduo apenas mais infantilizado.

Podemos ver facilmente nos episódios da famosa série Todo Mundo Odeia o Chris, que enquanto Morello se apresentava como “antirracista”, ela apenas estava reproduzindo um racismo implícito, que era mais sofisticado e socialmente aceito. Fica claro que ela sempre esperava menos do Chris, como se ele não estivesse no nível de aprendizado e capacidade de seus colegas brancos.

O economista Walter Williams já alertava que uma das piores formas de discriminação, é aquela que se disfarça de compaixão. Podemos ver isso em todos os progressistas que adoram dizer que estão lutando contra o racismo estrutural e sistêmico: suas falas são carregadas de termos nobres, causas justas e discursos inflamados, mas o efeito prático é corrosivo. O governo nunca prepara nossas crianças para a vida real no sistema escolar, ou seja: para uma vida mais complexa, imprevisível, com desafios práticos e para um mundo imperfeito que é indiferente às nossas intenções e emoções. E é por isso que a esquerda política, que hoje representa o sistema aqui no Brasil, e está no poder há décadas, sempre fez de tudo para criar justificativas fabricadas para supostamente proteger certos grupos, como os negros. O objetivo real é colocá-los dependentes de muletas institucionais.

O brilhante Thomas Sowell chama isso, em seus livros, de “visão ungida”, ou seja: a crença de que indivíduos iluminados moralmente sempre sabem o que é melhor para os outros, mesmo que dados importantes – além da experiência histórica e da realidade concreta – mostrem o contrário. E é claro que a senhorita Morello, assim como todo esquerdista virtuoso, não se pergunta se suas atitudes e ideias realmente vão ajudar os grupos minoritários a melhorarem financeiramente ou alcançarem liberdade e independência. Morello apenas quer reafirmar sua própria identidade moral, sua imagem de professora virtuosa que sabe o que os “negros estão passando, e do que precisam”.

O triste é que apesar dos contínuos fracassos das políticas de cotas, do assistencialismo barato, de serviços públicos precários e de toda a corrupção e ineficiência estatal, esses ungidos nunca admitem os próprios erros. Para essas pessoas, o problema nunca é o governo e o aparato estatal, mas sim a sociedade e as injustiças sociais ou o patriarcado, e por aí vai. A verdade, por incrível que pareça, é que a senhorita Morello não odeia realmente o Chris, apesar do nome do seriado, ela apenas o subestima; não o vê como um indivíduo capaz e inteligente, com grandes potenciais.

Para a tristeza dos socialistas e progressistas, a verdadeira liberdade humana não é produto da tutela governamental. A dignidade real não vem de bolsa-esmola ou cotas, e o discurso corrosivo e divisivo da esquerda está apenas piorando a vida social e criando novas guerras raciais. O respeito verdadeiro não se constrói com discursos rasos e militantes, baseado em estereótipos e falácias históricas, mas na confiança de que cada pessoa, independentemente da cor de sua pele, é capaz de caminhar por si mesma.

A visão libertária que nos é apresentada nas obras de Thomas Sowell e Walter Williams parte de um princípio bastante simples: o verdadeiro progresso para os indivíduos negros e outros grupos como indígenas e deficientes, não vêm da engenharia social, mas do respeito aos direitos individuais e da liberdade de mercado, que os permitem ascender socialmente pela própria capacidade. Alguns alegam que o capitalismo não é perfeito, mas ele oferece algo que as políticas públicas não têm: o feedback. Ou seja: sempre que um investimento não funciona, não dá resultado, ele quebra no ambiente de livre mercado. Quando funciona e atende aos interesses do povo, ele se expande e transforma positivamente a sociedade oferecendo novos empregos, bons produtos e avanço social. Já as antigas e fracassadas políticas estatais, infelizmente sobrevivem baseadas em discursos mentirosos e custam muito caro à população, sobretudo aos mais pobres que a esquerda diz defender.

Por fim, fica claro que todos os seres humanos têm direitos individuais inalienáveis e que temos potencial real de melhorar de vida sem depender de esmola do governo. Defender os negros não é transformá-los em eternos dependentes do leviatã estatal, mas apenas garantir que essas pessoas tenham boas condições para trabalhar, viver, competir, empreender e prosperar por conta própria.

Referências:

https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luciano-trigo/os-ungidos-segundo-thomas-sowell/?ref=busca
https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/historico-veja/o-livre-mercado-como-arma-contra-o-preconceito/?ref=busca
https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/serie-herois-da-liberdade-walter-williams/?ref=busca
https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/de-onde-veio-o-progressismo-atual/?ref=busca