Enquanto o brasileiro vê a impressionante eficiência de Lula e do PT em aumentar impostos e destruir a alegria de comprar uma roupa ou um eletrônico importado mais barato, o argentino aumentou suas compras no exterior em 55%. Maldito Lula que nos fez ter inveja de argentinos.
Para aquele bando de socialistas limpinhos que passaram os últimos anos defendendo a “indústria nacional” e a “soberania econômica”, saibam o seguinte: os argentinos ampliaram em 55% as compras no exterior após a abertura comercial promovida por Javier Milei. Contra fatos não há argumentos. Não adianta dizer que a taxa é para as empresas, que o imposto já existia e só não era cobrado, ou qualquer outra besteira repetida por Felipe Neto e Janja. O fato é que o brasileiro está pagando mais caro em produtos importados, e o argentino está pagando mais barato. Em poucos anos de governo, com redução de barreiras, simplificação de regras e menos interferência estatal, o argentino comum voltou a fazer algo absolutamente banal em qualquer país minimamente civilizado: comprar produtos importados pagando menos e com menos obstáculos.
Como é bom ter um presidente.
Sim, a frase é essa mesmo — e o uso aqui é propositalmente irônico. Durante o governo Bolsonaro, a esquerda brasileira repetia essa frase ao comparar Bolsonaro com Alberto Fernández, presidente esquerdista da Argentina na época, já que diferente de Fernández, Bolsonaro não queria trancar o cidadão em casa até ele morrer de fome. Pois bem: hoje, quem pode dizer isso com lastro na realidade não é a esquerda, mas sim a direita. E a comparação dói para os canhotos. Dói porque expõe o contraste entre dois projetos opostos de sociedade que estão se desenrolando ao mesmo tempo, lado a lado, em países muito semelhantes, separados apenas por uma fronteira e por escolhas políticas radicalmente diferentes.
Talvez a única coisa realmente boa do atual governo Lula seja o fato de ele estar acontecendo ao mesmo tempo que o governo Milei, permitindo que até o mais ignorante dos brasileiros observe, em tempo real, o que um governo socialista faz com um país e o que um governo abertamente capitalista é capaz de fazer quando, ao menos parcialmente, resolve sair do caminho do socialismo.
Enquanto isso, do lado de cá da fronteira, Lula fez algo maravilhoso para nós brasileiros: fez as compras internacionais despencarem, devido a sua famigerada “taxa das blusinhas”. Afinal, o brasileiro ama pagar caro e consumir menos, pois se não gostasse não teria votado em petista. Esse roubo, apelidado de “taxa das blusinhas”, encareceu produtos, desestimulou o consumo e puniu justamente o brasileiro mais pobre, que encontrava nos sites estrangeiros uma chance de acessar bens que o mercado interno, protegido e cartelizado, nunca fez questão de oferecer a preços razoáveis. Comprar do exterior, no Brasil lulista, é algo tratado como um pecado, quase uma traição à pátria. Já na Argentina de Milei, é tratado como o que sempre foi: uma troca voluntária entre adultos.
Com a flexibilização das regras de importação, os consumidores argentinos passaram a acessar mais produtos, pagando menos impostos e enfrentando menos entraves burocráticos. As compras fora do país cresceram 55% após as mudanças iniciais promovidas por Milei. Esse tipo de resultado positivo não acontece por milagre, mas porque o estado saiu um pouco da frente e deixou as pessoas agirem.
Chega a ser engraçado notar como esse tipo de dado positivo causa pânico nos círculos esquerdistas. Afinal, se permitir importações melhora a vida do consumidor, o discurso protecionista de Lula começa a ruir. E ainda por cima isso expõe a hipocrisia da esquerda, que se diz a favor dos mais pobres, mas que é a primeira a dificultar o acesso do pobre a um bem mais barato.
Desde que Milei assumiu, a inflação vem caindo, a economia vem se recuperando e o poder de compra dos argentinos começa, timidamente, a respirar depois de anos de sufoco impostos por governos de esquerda. A Argentina não virou um paraíso libertário, longe disso. Mas ao menos parou de cavar mais fundo o próprio buraco em que estava metida e começou a tentar sair dele. Para quem vinha de décadas de populismo, já é uma revolução.
Não há dúvidas de que Milei é libertário, mas como presidente ele não consegue colocar em prática nem 1% do que gostaria. O estado argentino continua grande, embora muito menor do que estava antes, o dinheiro continua sem valor, embora estivesse pior com os peronistas, e a burocracia continua muito pesada. Ainda assim, mesmo esse pouquinho de liberdade já está produzindo efeitos visíveis. Agora imagine o que aconteceria se a Argentina continuasse avançando nessa direção, em vez de recuar para a esquerda, como normalmente acontece?
O contraste atual com o Brasil é vergonhoso para nós. Aqui, Lula age como se taxar fosse um esporte e ele fosse o campeão mundial. Na visão libertária, esse negócio de taxar a movimentação de um produto de um lugar para outro do planeta é comunismo puro e simples. Se eu quero comprar um produto e alguém quer me vender, ninguém deve se meter no meio e encarecer a minha compra. O estado não produziu esse produto, não transportou, não embalou e não trabalhou para pagar por ele. Ainda assim, exige sua parte. E no caso de Lula, que é notoriamente guloso por impostos, essa parte às vezes é o valor integral do produto, já que há impostos que cobram quase 100% do valor original de um item importado.
Na prática, o que o estado faz é se comportar como um atravessador armado, encarecendo trocas voluntárias e punindo quem tenta fugir dos altos impostos que já pesam sobre as empresas e produtos brasileiros.
A Argentina, ao menos neste momento, decidiu testar o caminho oposto e está colhendo os resultados positivos. O consumidor voltou a ser tratado como alguém que importa — literalmente. O brasileiro, sob Lula, voltou a ser tratado como súdito de um feudo miserável, violento e caro.
Diante disso, é impossível não levantar uma hipótese, no mínimo, polêmica: talvez, apesar de todo o mal que Lula faz ao Brasil, essa eleição dele tenha sido necessária. A história está cheia de exemplos em que povos só aprenderam após experimentarem o fundo do poço. O povo judeu, por exemplo, precisou ser levado ao cativeiro da Babilônia para compreender certas lições duras sobre escolhas e consequências. Talvez os brasileiros precisem ser levados ao cativeiro lulopetista para aprender a parar de votar em pinguço, corrupto, ladrão e socialista.
A Argentina já cometeu os exatos mesmos erros que o Brasil, e pagou um preço altíssimo por isso. Quando o limite foi alcançado, escolheram alguém que prometeu apenas fazer o óbvio: cortar gastos, reduzir interferência estatal e tratar adultos como adultos. O Brasil, ao que tudo indica, ainda insiste em aprender pela dor.
Se os argentinos voltarem a eleger um esquerdista, eles serão tão burros quanto os brasileiros que voltaram a eleger Lula. Não há como dourar essa pílula. Há escolhas que são apenas escolhas ruins, e insistir nelas é implorar pelo cativeiro.
O exemplo está aí, a poucos quilômetros de distância, para quem quiser ver: um país reduz barreiras e vê seu povo comprar mais coisas, pagar menos e respirar aliviado. Já o outro aumenta impostos, cria taxas novas e colhe a queda do consumo e a menor oferta de produtos, especialmente para os mais pobres. Um trata o comércio como algo natural; o outro, como crime. Essa diferença gritante entre os caminhos trilhados pelo Brasil e pela Argentina servem para o mundo inteiro como um argumento de que as ideias socialistas são ultrapassadas e já deveriam ter caído junto com o Muro de Berlim.
Este ano é ano de eleições. Se o povo brasileiro for alguma espécie de masoquista, votará em Lula novamente. Se, por outro lado, quiser recuperar algum nível de liberdade e prosperidade, precisará olhar para o exemplo argentino e fazer o oposto do que vem fazendo há décadas. Colocar no poder um presidente capitalista — e, de preferência, um libertário.
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